Paraíba entra na reta final antes das eleições de outubro com três candidatos ao governo e disputa acirrada pelos dois assentos no Senado

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Lucas Ribeiro assumiu o Executivo estadual em abril após a saída de João Azevêdo para a corrida senatorial, enquanto Cícero Lucena lidera esforços pelo lado da oposição e Efraim Filho mantém base sólida no interior.

A Paraíba chegou à metade de 2026 com o mapa eleitoral de outubro já em grande parte definido, embora as alianças sigam em movimento. A saída do governador João Azevêdo (PSB) do Palácio dos Despachos em abril, formalizada em cerimônia na Praça dos Três Poderes em João Pessoa, abriu caminho para o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) assumir o cargo e, com isso, entrar na disputa como candidato à reeleição com o peso da máquina administrativa. Com 36 anos, Lucas se tornou o governador mais jovem da história da Paraíba. É filho da senadora Daniella Ribeiro (PP) e sobrinho do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), o que lhe garante uma rede política de peso tanto no interior quanto em Brasília.

Do outro lado da disputa está Cícero Lucena (MDB), que renunciou à Prefeitura de João Pessoa também em abril para se lançar candidato ao Governo do Estado. Com longa trajetória política, Lucena já ocupou o governo paraibano entre 1994 e 1995, foi prefeito da capital em 1996 e 2000 e chegou ao quarto mandato como prefeito em 2020. Sua filiação ao MDB marcou a saída do PP, partido que o ajudou a chegar à Prefeitura, e o posicionamento como principal nome da oposição ao grupo que sustenta Lucas Ribeiro. Após a renúncia de Lucena, a Prefeitura de João Pessoa passou a ser conduzida por Léo Bezerra (PSB), que cumpriu posse simbólica em abril e deve administrar a cidade até o final do mandato em 2028.

O xadrez do Senado e os protagonistas da disputa

A Paraíba elegeu dois senadores em outubro, o que amplia consideravelmente as possibilidades de arranjo e cria uma segunda frente de disputa com impacto direto nas alianças para o Governo do Estado. João Azevêdo (PSB), com o capital político de dois mandatos como governador, desponta como um dos favoritos para uma das vagas. O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que já ocupa uma das cadeiras da Paraíba no Senado Federal, concorre à reeleição e aparece com preferência em expansão nas pesquisas mais recentes. O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL), o ex-deputado Major Fábio (Novo) e o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), completam o campo dos pré-candidatos ao Senado.

O PT decidiu não lançar candidatos próprios ao governo ou ao Senado e deve apoiar um aliado do presidente Lula entre os nomes disponíveis. A decisão da legenda, divulgada em março, rejeita a postura de neutralidade, o que significa que o partido vai se alinhar com algum dos campos em disputa. As opções consideradas pela executiva estadual incluem Cícero Lucena, Efraim Filho (União Brasil) e Pedro Cunha Lima (PSD). A posição do PT pode ser decisiva em João Pessoa, que concentra 562.877 eleitores segundo dados do TRE-PB, tornando-a o maior colégio eleitoral do estado. Campina Grande, com 296.618 eleitores, forma o segundo polo de concentração do eleitorado paraibano.

O peso dos municípios e a força institucional

Levantamentos das articulações municipais indicam que Lucas Ribeiro é o pré-candidato com maior adesão de prefeitos, somando cerca de 134 gestores aliados em todo o estado. O número demonstra capilaridade territorial e reflete a estratégia de continuidade administrativa que o grupo do PP e dos seus aliados busca apresentar ao eleitor como argumento central de campanha. A força do Executivo estadual, somada ao apoio do presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos) e da família Ribeiro no Congresso, projeta uma estrutura de campanha difícil de ser ignorada pelos partidos que ainda não definiram posição.

Cícero Lucena, por sua vez, concentra esforços nos grandes colégios eleitorais da Região Metropolitana de João Pessoa. A incorporação de Bayeux ao seu campo de influência, depois que o município passou a dialogar com o seu projeto político, representa uma mudança no equilíbrio regional. Efraim Filho mantém presença forte em Campina Grande e busca ampliar seu alcance no interior do estado, dialogando com lideranças do Sertão e com setores ligados ao bolsonarismo. A disputa em Cabedelo, que deve ter eleição suplementar após a cassação do prefeito André Coutinho, é tratada como peça-chave nos bastidores, já que o resultado pode fortalecer ou enfraquecer qualquer um dos três candidatos ao governo.

As primeiras semanas de Lucas Ribeiro no comando

O início do governo Lucas Ribeiro foi marcado por anúncios de política pública voltados à inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, feitos logo no discurso de posse em 2 de abril. A cerimônia contou com a presença do presidente da Câmara Hugo Motta, do presidente do STJ Herman Benjamin, além de deputados estaduais e federais do grupo governista. O novo governador assumiu o compromisso público de dar continuidade ao modelo de desenvolvimento implantado durante o governo Azevêdo e aprofundar as iniciativas em curso, com destaque para as áreas de infraestrutura e turismo. O Polo Turístico Cabo Branco, com mais de R$ 2,3 bilhões em investimentos previstos, foi citado como prioridade de gestão.

A tensão entre Lucas Ribeiro e Cícero Lucena ficou evidente ainda em fevereiro, quando o então prefeito de João Pessoa afirmou que a campanha seria uma “lapada de cipó”. A resposta do vice-governador foi imediata: disse que não temia a “velha política” e fez alusão a um episódio de violência política do início dos anos 1990, em referência ao ex-governador Ronaldo Cunha Lima. O embate público estabeleceu o tom de uma disputa que deve ser uma das mais observadas do Nordeste em outubro. A Paraíba, que em outros ciclos eleitorais ficou à margem das grandes disputas nacionais, entra em 2026 com um tabuleiro político denso, candidaturas definidas e eleitorado dividido entre tradição e renovação.

Fontes: Exame, Portal da Capital, Gazeta do Povo, ND Mais

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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