Marcio Alaor de Araújo revela onde o capital encontra oportunidades reais

Ingrid Norsten
Ingrid Norsten
Marcio Alaor de Araújo

A alocação estratégica de cada real disponível constitui uma das decisões mais relevantes para a gestão. Marcio Alaor de Araújo, executivo do mercado financeiro, pondera que muitas empresas ainda encaram esse tema como uma questão de domínio da tesouraria. Quando a alocação de capital não está alinhada com a estratégia, o orçamento reflete hábitos do passado, não as prioridades que determinam o crescimento.

O problema tende a manifestar-se de maneira discreta. Os projetos antigos continuam recebendo recursos por inércia. As áreas com maior poder interno disputam verbas com argumentos pouco comparáveis. As iniciativas promissoras ficam sem fôlego por falta de critério claro de priorização. A empresa, portanto, embora invista, não necessariamente progride na direção inicialmente proposta.

A compreensão da inter-relação entre finanças e estratégia demanda uma análise cuidadosa de indicadores como retorno sobre o capital investido, custo de oportunidade, fluxo de caixa e governança das decisões. Os tópicos a seguir demonstram como esses elementos se organizam e por que a disciplina na alocação define o ritmo de expansão de um negócio.

O que significa alocar capital de forma estratégica?

Quando se aloca capital, os recursos limitados são distribuídos entre alternativas concorrentes, como a expansão da capacidade produtiva, a entrada em novos mercados, a inovação tecnológica, a aquisição de outras empresas, a redução do endividamento ou a remuneração aos acionistas. Cada opção tem um custo, pois o dinheiro aplicado em uma área fica indisponível para outra, e um projeto pode ser ruim mesmo em relação às demais escolhas.

A referência mais utilizada para essa comparação é a relação entre o retorno sobre o capital investido (ROIC) e o custo médio ponderado de capital (WACC). A criação de valor para a empresa ocorre quando o retorno supera o custo. Por outro lado, quando o retorno fica abaixo, o crescimento pode até ampliar o faturamento, mas destrói valor econômico. Esse contraste ajuda a explicar por que companhias que crescem rapidamente nem sempre se tornam mais valiosas.

Marcio Alaor de Araújo
Marcio Alaor de Araújo

No parecer de Marcio Alaor de Araújo, empresário que prioriza resultados e desenvolvimento organizacional, o ponto de partida deve ser a tradução da estratégia em critérios mensuráveis antes da discussão do orçamento. Sem essa tradução, indicadores como payback e valor presente líquido calculados perdem a capacidade de orientar escolhas entre projetos de natureza diferente.

Como transformar prioridades estratégicas em decisões de investimento?

A conexão entre planejamento e capital começa com poucas prioridades explícitas. Uma empresa precisa direcionar recursos para capacidade, canais e pessoas ligadas a esse objetivo, aceitando reduzir investimentos em frentes secundárias. Sem renúncia, a estratégia pode produzir portfólio disperso.

O segundo passo é equilibrar projetos de manutenção com iniciativas de crescimento e transformação. Revisões periódicas permitem redirecionar os recursos, evitando que o orçamento anual funcione como um compromisso imutável.

Outro ponto importante destacado por Marcio Alaor de Araújo é a necessidade de atenção à gestão do caixa, que deve ser equivalente à atenção dedicada à rentabilidade projetada. Ainda que um plano de expansão possa parecer atraente nas planilhas, ele pode pressionar o capital de giro, elevar a dependência de crédito caro e reduzir a margem de manobra da empresa diante de mudanças no cenário de juros.

Os comitês de investimento, critérios de aprovação e acompanhamento pós-implantação criam um histórico que permite comparar o retorno prometido com o retorno obtido, mostrando que a governança é importante nesse processo. A experiência de Marcio Alaor de Araújo em desenvolvimento organizacional mostra que líderes devem ser responsabilizados pelo retorno do capital solicitado, não pelo volume de recursos aprovados.

Disciplina financeira como motor do crescimento sustentável

O crescimento consistente raramente decorre de um único grande investimento. Ele é estruturado por meio da agregação de determinações coerentes, executadas com parâmetros claros, comparação honesta entre opções e capacidade para ajustar trajetórias quando os dados apontam para a inviabilidade de uma investida.

A análise de Marcio Alaor de Araújo corrobora a ideia de que as finanças e a estratégia funcionam de modo complementar, ou seja, como se tratassem de partes de um mesmo sistema: a estratégia define os rumos que a empresa pretende tomar e a alocação de capital determina se ela terá os recursos em tempo hábil para implementar tal estratégia. Quando essa ligação é bem estruturada, o crescimento deixa de depender do acaso e passa a refletir escolhas deliberadas.

Compartilhe esse artigo