Trabalhadores dos Correios se reúnem em João Pessoa nesta quinta-feira para decidir sobre adesão à greve nacional

Ingrid Norsten
Ingrid Norsten

Assembleia no SINTECT-PB avalia impasse nas negociações do Acordo Coletivo 2026/2027 e pode paralisar serviços de entrega no estado já a partir desta sexta-feira

João Pessoa é palco, nesta quinta-feira (10), de um dos momentos mais decisivos da campanha salarial dos Correios em 2026. Às 18h30, trabalhadores da estatal se reúnem em assembleia geral na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (SINTECT-PB), na capital, para avaliar o andamento das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027 e deliberar sobre a adesão a uma greve nacional da categoria.

O mesmo encontro acontece simultaneamente na subsede do sindicato, em Campina Grande, seguindo um calendário de mobilização que já vinha sendo construído desde agosto. Caso a paralisação seja aprovada pelos trabalhadores paraibanos nesta quinta, a greve deve começar já à zero hora desta sexta-feira (11), com potencial de afetar diretamente as atividades operacionais e de entrega de encomendas em todo o estado.

Uma mobilização de alcance nacional

A assembleia de João Pessoa não é um movimento isolado. Segundo o secretário-geral do SINTECT-PB, Tony Sérgio, a paralisação em discussão integra uma mobilização nacional que reúne 36 sindicatos e duas federações representando trabalhadores dos Correios em todo o país. A orientação da entidade paraibana é para que os empregados participem da votação e, caso aprovada, adiram integralmente ao movimento.

O calendário nacional da categoria já previa assembleias unificadas ao longo do mês de agosto, quando os trabalhadores aprovaram o indicativo de greve em diversas bases do país, com a data de 10 de setembro marcada como o momento definitivo de deliberação sobre o início efetivo da paralisação.

O que está em jogo na negociação

Segundo a liderança sindical, a insatisfação da categoria não se resume à discussão sobre reajuste salarial. Os trabalhadores também questionam as condições de trabalho oferecidas atualmente, a manutenção de direitos históricos da carreira, o modelo de assistência à saúde oferecido pela Postal Saúde e um conjunto de mudanças estruturais anunciadas recentemente pela estatal.

“Se a empresa não avançar nas negociações do nosso Acordo Coletivo e insistir em uma reestruturação que tenta desmontar a estatal, iniciaremos a greve geral”, afirmou Tony Sérgio, ao detalhar os pontos que motivam a mobilização da categoria em todo o país.

Mediação no Tribunal Superior do Trabalho

Diante do impasse registrado nas rodadas de negociação, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) recorreu à mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) na tentativa de construir uma solução negociada para o novo Acordo Coletivo. A proposta apresentada pela estatal durante esse processo de mediação é justamente um dos principais pontos que será colocado em avaliação durante a assembleia desta quinta-feira em João Pessoa.

De um lado, a direção da empresa argumenta que as medidas de reestruturação em curso são indispensáveis para reorganizar as finanças da estatal e garantir a sustentabilidade dos serviços prestados à população no longo prazo. Do outro, as entidades sindicais reforçam a preocupação de que essas mudanças possam comprometer direitos históricos e as condições de trabalho conquistadas ao longo de décadas pela categoria.

Impacto direto na rotina de quem depende dos Correios

Caso a greve seja confirmada nas assembleias estaduais, os efeitos devem ser sentidos rapidamente pela população paraibana. A suspensão das atividades operacionais e de distribuição afeta desde o recebimento de correspondências até a entrega de encomendas, um serviço que ganhou ainda mais relevância nos últimos anos com o crescimento do comércio eletrônico em todo o país.

Para o SINTECT-PB, a valorização da categoria está diretamente ligada à qualidade do serviço prestado à população em todos os municípios da Paraíba, argumento utilizado pela entidade para reforçar a legitimidade da mobilização entre os próprios trabalhadores.

Segunda rodada de assembleias em menos de um mês

Este não é o primeiro encontro da categoria dedicado a discutir os rumos da Campanha Salarial 2026/2027. Já no fim de agosto, trabalhadores dos Correios na Paraíba haviam se reunido para avaliar propostas apresentadas pela empresa e deliberar sobre a prorrogação do dissídio coletivo referente ao período anterior, além de já sinalizar a data de 10 de setembro como o momento definitivo para a decisão sobre a greve.

A repetição das assembleias em um intervalo curto reflete a dificuldade de avanço nas negociações entre a categoria e a direção da estatal, mesmo com a intervenção do TST como instância de mediação entre as partes.

Próximos passos

Com a votação marcada para o fim da tarde desta quinta-feira, a expectativa é que o resultado da assembleia em João Pessoa seja conhecido ainda durante a noite, definindo se a Paraíba entra oficialmente na greve nacional dos Correios a partir da zero hora de sexta-feira. A decisão deve impactar diretamente moradores, comerciantes e empresas que dependem dos serviços postais em toda a Grande João Pessoa e no restante do estado.

Fontes consultadas:
https://www.brasildefato.com.br/colunista/notas-sindicais/2026/09/09/assembleia-desta-quinta-10-pode-deflagrar-greve-nacional-dos-trabalhadores-dos-correios
https://www.polemicaparaiba.com.br/cidades/trabalhadores-dos-correios-na-paraiba-avaliam-adesao-a-greve-nacional-nesta-quinta/
https://www.reporterpb.com.br/noticia/paraiba/2026/09/09/funcionarios-dos-correios-na-pb-decidem-nesta-quinta-se-entram-em-greve-a-partir-de-sexta/192003.html

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