Evento reúne pesquisadores e especialistas para discutir transformação digital, sustentabilidade, desenvolvimento regional e novas tecnologias, colocando a capital paraibana no centro de discussões estratégicas sobre o futuro econômico do Nordeste.
João Pessoa recebe nesta semana uma programação dedicada a discutir inovação, desenvolvimento econômico, sustentabilidade e transformação tecnológica. O III Fórum Celso Furtado integra as atividades realizadas na capital paraibana em torno do pensamento sobre desenvolvimento regional e dos desafios contemporâneos enfrentados pelo Nordeste. (Congresso Celso Furtado)
A programação reúne pesquisadores de diferentes universidades e instituições e coloca em discussão uma questão central: como utilizar ciência, inovação e políticas públicas para promover desenvolvimento econômico sem ampliar desigualdades sociais e impactos ambientais.
A realização em João Pessoa também fortalece a presença da Paraíba no debate nacional sobre ciência e tecnologia. O estado vem buscando ampliar iniciativas relacionadas à inovação, formação profissional, empreendedorismo tecnológico e desenvolvimento de soluções para problemas regionais.
Transformação digital entra no centro das discussões
Um dos principais eixos relacionados à tecnologia trata dos impactos da transformação digital sobre a sustentabilidade. O tema aparece formalmente entre os grupos de trabalho previstos na programação acadêmica. (Congresso Celso Furtado)
O debate procura analisar como digitalização, automação e novas tecnologias estão modificando empresas, governos e relações econômicas.
Essa transformação pode aumentar produtividade, melhorar serviços públicos e criar novos negócios. Entretanto, também levanta questões relacionadas à qualificação profissional, desigualdade de acesso à tecnologia e distribuição dos benefícios produzidos pela digitalização.
Por isso, o evento não trata inovação apenas como adoção de equipamentos ou softwares. A proposta é relacionar tecnologia ao desenvolvimento econômico e social.
Tecnologia pode ajudar no enfrentamento da crise climática
Outro eixo aborda inovação social e tecnologias para o enfrentamento justo da crise climática. A programação inclui um grupo de trabalho dedicado especificamente ao assunto, coordenado por pesquisadores ligados à Paraíba. (Congresso Celso Furtado)
A discussão ganha importância especial no Nordeste, região historicamente afetada por secas, altas temperaturas e desigualdades socioeconômicas.
Novas tecnologias podem ajudar no monitoramento ambiental, gestão de recursos hídricos, geração de energia renovável, agricultura e planejamento das cidades.
O desafio discutido pelos pesquisadores é garantir que essas ferramentas também estejam disponíveis para comunidades e regiões que possuem menor capacidade financeira e tecnológica.
Transição ecológica e digital precisam caminhar juntas
A programação acadêmica também apresenta um eixo dedicado às chamadas transições ecológicas e digitais justas e sustentáveis. (Congresso Celso Furtado)
O conceito parte da ideia de que a economia está passando simultaneamente por duas grandes transformações.
De um lado está a digitalização, impulsionada por inteligência artificial, automação, análise de dados e novas plataformas. Do outro está a necessidade de reduzir emissões e tornar atividades econômicas ambientalmente sustentáveis.
Essas duas mudanças podem abrir oportunidades para o Nordeste, principalmente em setores como energia renovável, indústria verde, agricultura de baixo carbono e serviços tecnológicos.
Paraíba busca espaço no ecossistema de inovação
O fórum acontece em um momento no qual a Paraíba procura ampliar sua presença no cenário brasileiro de inovação.
João Pessoa e Campina Grande possuem universidades, centros de pesquisa e empresas que atuam em diferentes segmentos tecnológicos. Essa infraestrutura cria condições para aproximar conhecimento acadêmico e desenvolvimento empresarial.
O desafio está em transformar pesquisas e projetos inovadores em produtos, empresas, empregos qualificados e soluções utilizadas efetivamente pela sociedade.
Eventos acadêmicos e tecnológicos podem contribuir justamente para essa aproximação ao reunir pesquisadores, gestores públicos e profissionais interessados nos mesmos desafios.
Desenvolvimento do Nordeste é tema estratégico
A programação do III Fórum Celso Furtado está associada à discussão sobre “O Desenvolvimento do Nordeste como Projeto Nacional”, colocando os desafios regionais dentro de uma perspectiva mais ampla sobre o desenvolvimento brasileiro. (Instagram)
O pensamento de Celso Furtado permanece diretamente relacionado a essa discussão. O economista paraibano dedicou grande parte de sua trajetória ao estudo das desigualdades regionais brasileiras e à busca de estratégias capazes de promover desenvolvimento econômico no Nordeste.
Décadas depois, parte das questões mudou de formato. Hoje, inteligência artificial, digitalização, mudanças climáticas e transição energética passaram a ocupar espaço relevante nas discussões sobre desenvolvimento.
Ainda assim, permanece a pergunta sobre como fazer o crescimento econômico alcançar diferentes grupos sociais e regiões.
João Pessoa ganha visibilidade científica
Para João Pessoa, receber discussões desse porte ajuda a fortalecer a imagem da cidade para além de setores tradicionalmente associados à capital, como turismo e serviços.
Ciência, tecnologia e inovação podem se transformar em áreas estratégicas para diversificação econômica e criação de empregos de maior qualificação.
A presença de pesquisadores de diferentes instituições também favorece a formação de redes acadêmicas e possíveis parcerias entre universidades e organizações.
O próprio congresso relacionado ao fórum possui grupos dedicados a temas como financeirização e transformação energética e digital, impactos da transformação digital na sustentabilidade, transição ecológica e tecnologias contra a crise climática. (Congresso Celso Furtado)
Inovação precisa gerar desenvolvimento regional
Uma das questões mais importantes colocadas pela programação é justamente como transformar inovação tecnológica em desenvolvimento regional.
Criar uma tecnologia não significa automaticamente gerar melhoria econômica para a população. É necessário desenvolver empresas capazes de utilizar essas soluções, formar profissionais e criar políticas que estimulem investimentos.
No Nordeste, esse desafio também envolve impedir que profissionais altamente qualificados precisem migrar para outras regiões em busca de oportunidades.
Fortalecer ecossistemas tecnológicos locais pode ajudar a manter talentos e atrair novos investimentos para cidades como João Pessoa.
Tecnologia passa a fazer parte do debate sobre o futuro do Nordeste
O III Fórum Celso Furtado reforça uma mudança importante na discussão sobre desenvolvimento regional. Infraestrutura tradicional, indústria e investimentos continuam fundamentais, mas agora dividem espaço com transformação digital, sustentabilidade, inovação social e novas tecnologias.
Para a Paraíba, a discussão é particularmente relevante porque combina uma tradição acadêmica importante com novos setores econômicos que podem ganhar espaço nos próximos anos.
A realização da programação em João Pessoa coloca a capital dentro desse debate e aproxima pesquisadores que estudam diferentes caminhos para o crescimento regional.
Mais do que apresentar tecnologias isoladamente, o fórum procura discutir como inovação e transformação digital podem contribuir para um Nordeste economicamente mais competitivo, ambientalmente sustentável e socialmente menos desigual. (Congresso Celso Furtado)