Empresas sediadas em João Pessoa acompanham de perto os efeitos da nova tarifa de 25%, que passa a valer em 22 de julho e atinge os principais produtos vendidos pelo estado aos Estados Unidos.
João Pessoa concentra boa parte das entidades que hoje monitoram, dia a dia, o impacto da nova ofensiva comercial dos Estados Unidos sobre a economia paraibana. Suco de frutas, calçados e açúcar, que concentram praticamente toda a pauta exportadora do estado para o mercado norte-americano, estão entre os segmentos mais vulneráveis à tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo dos EUA. Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações paraibanas entre janeiro e junho de 2025, período em que as vendas do estado ao mercado americano superaram US$ 9,8 milhões, com forte concentração em poucos produtos. ParaibabusinessParaibabusiness
Os setores mais expostos ligados à economia paraibana
O maior risco está concentrado no setor de sucos de frutas, que responde pela fatia mais expressiva desse comércio. O segmento foi responsável por cerca de US$ 6,8 milhões das exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre, o equivalente a quase 70% de tudo o que a Paraíba vendeu ao mercado americano no período. O suco de abacaxi é o carro-chefe dessa relação comercial, com a Intrafrut processando cerca de 60 mil toneladas da fruta por ano, sendo 80% da matéria-prima produzida na Paraíba, principalmente em Santa Rita e Itapororoca, com cerca de 70% da produção da empresa destinada ao mercado externo. ParaibabusinessParaibabusiness
O setor calçadista também aparece entre os mais sensíveis à medida americana. A Alpargatas, fabricante das Havaianas com unidade em Campina Grande, está entre as principais exportadoras paraibanas para os Estados Unidos, em um polo que reúne cerca de 600 empresas do setor e responde por aproximadamente 16 mil empregos diretos e indiretos, com os calçados representando cerca de 14,5% das exportações do estado para o mercado americano. Paraibabusiness
Já o setor sucroenergético trabalha com uma estimativa de perda mais concreta caso a tarifa avance sem ajustes. O presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool da Paraíba, Edmundo Coelho, estima que os impactos para o setor podem chegar a R$ 50 milhões, envolvendo cerca de 10 mil toneladas de açúcar que deixariam de ser comercializadas nas mesmas condições atuais. Paraibabusiness
A reação do setor produtivo sediado na capital
Entidades com sede em João Pessoa, como a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, já se posicionaram publicamente sobre o tema. O presidente da Fiep, Cassiano Pereira, afirmou que ainda é cedo para mensurar os impactos concretos da medida, mas destacou a preocupação do setor produtivo, já que qualquer medida que gere impactos no comércio internacional traz apreensão em um momento em que a indústria brasileira busca ampliar sua competitividade nos mercados globais. Paraibabusiness
Do lado do setor de álcool e açúcar, a expectativa segue sendo a de uma solução negociada entre os dois países. Segundo Edmundo Coelho, o açúcar exportado pelo Brasil atende a uma demanda de empresas americanas, e ao impor tarifas adicionais os Estados Unidos acabam encarecendo um produto do qual necessitam, custo que na prática tende a ser repassado ao próprio consumidor americano. Ele lembra ainda que existe uma parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos no fornecimento de etanol para o transporte marítimo, mercado em expansão que poderia ser afetado por um novo ciclo de atritos comerciais. Paraibabusiness
Diante da confirmação da medida pelo governo americano, entidades de apoio a pequenos negócios também já orientam empresários da região a se prepararem. O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, lamentou a decisão sobre o novo tarifaço, o segundo em um ano, e afirmou que micro e pequenas empresas que exportam para os Estados Unidos, ou que fornecem para grandes exportadoras, devem reforçar a diversificação de mercados, citando que o país já conta hoje com mais de 650 novos mercados abertos com ações do governo federal e da Apex. Portaldacapital
O que muda a partir de 22 de julho
Diferente do estágio inicial de consulta, a nova tarifa deixou de ser apenas uma proposta em avaliação. O governo dos Estados Unidos confirmou que passará a aplicar uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras a partir de 22 de julho, após concluir uma investigação que envolve práticas comerciais atribuídas ao Brasil. Para empresas paraibanas com sede ou operação em João Pessoa, o efeito prático deve aparecer primeiro no custo de colocar o produto no mercado americano, o que tende a pressionar margens já apertadas em setores como suco e açúcar. Paraiba Mix
Ainda segundo o Sebrae, o impacto imediato deve ser mais sentido pelas grandes exportadoras, mas a cadeia produtiva como um todo tende a sentir reflexos ao longo dos próximos meses. Rodrigo Soares avalia que, para as pequenas empresas, o impacto do novo tarifaço não é imediato, mas a medida poderá afetar toda a cadeia produtiva ligada à exportação. Portaldacapital
Para o setor produtivo da capital paraibana, o desfecho dessa disputa comercial deve seguir sendo acompanhado de perto nas próximas semanas. Entidades como Fiep, Sindalcool e Sebrae, todas com forte atuação a partir de João Pessoa, tendem a intensificar reuniões com o setor produtivo e com o governo federal para tentar amenizar o impacto sobre empregos e receita, num momento em que a diversificação de mercados aparece como a principal estratégia disponível para reduzir a dependência histórica do comércio com os Estados Unidos.
Fontes consultadas:
https://paraibabusiness.com.br/tarifa-de-trump-ameaca-exportacoes-da-paraiba-para-os-eua-suco-calcados-e-acucar-estao-entre-os-mais-expostos/
https://www.portaldacapital.com/2026/07/16/eua-sancionam-produtos-brasileiros-com-tarifa-de-25-sebrae-orienta-diversificacao-de-mercados/
https://www.paraibamix.com.br/secao-301-brasil-e-laboratorio-da-ferramenta-que-eua-querem-usar-para-tarifaco-2-0-entenda/